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Fazendo novas conexões através de práticas antigas

Neste tempo de uma pandemia global, coisas familiares têm um novo significado, incluindo algumas histórias Bíblicas. Foto de Mike DuBose, UMNS.
Neste tempo de uma pandemia global, coisas familiares têm um novo significado, incluindo algumas histórias Bíblicas. Foto de Mike DuBose, UMNS.

Muitos de nós ficamos assustados com a forma de como esta temporada de distanciamento social e mudança de dinâmica social alterou as nossas percepções de muitas coisas que vimos como mundanas e não notáveis. Ir à loja agora é um grande evento!

Suposições antigas também mudaram. Por exemplo, quando um amigo pediu minha impressão de uma história familiar, minha reação não foi familiar.

Um texto difícil

Qual é a sua opinião sobre essa interação?

21 E, partindo Jesus dali, foi para as partes de Tiro e de Sidom. 22 E eis que uma mulher cananéia, que saíra daquelas cercanias, clamou, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada. 23 Mas ele não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, chegando ao pé dele, rogaram-lhe, dizendo: Despede-a, que vem gritando atrás de nós. 24 E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. 25 Então, chegou ela e adorou-o, dizendo: Senhor, socorre-me. 26 Ele, porém, respondendo, disse: Não é bom pegar o pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos. 27 E ela disse: Sim, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores. 28 Então, respondeu Jesus e disse-lhe: Ó mulher, grande é a tua fé. Seja isso feito para contigo, como tu desejas. E, desde aquela hora, a sua filha ficou sã. (Mateus 15:21-29 ARC 2009)

Eu li essa passagem centenas de vezes e nunca me senti confortável com ela. Por que Jesus a chamou de cachorro? Essa interação não reflete um lado de Jesus que considero parte de sua natureza piedosa. Ainda assim, eu poderia explicar isso no passado. Jesus estava testando-a — certificando-se de que sua fé era real e não apenas um apelo histérico de desespero. Ela passou no teste fornecendo uma resposta medida, pensativa e fiel.

Mas agora? Não tenho certeza se Jesus estava testando a mulher. Talvez ele tenha respondido assim porque esse era o jeito da Palestina do primeiro século. Talvez esta história forneça alguma visão da natureza humana de Jesus. Aqui, vemos Jesus sendo totalmente humano e exibindo um pouco do cansaço de nossa condição humana falida.

Isolado, mas não sozinho

Estamos em uma temporada diferente de qualquer outra que vivemos. Ameaças de doença e medo interpessoal nos mantém distantes um do outro. Estamos desconectados. Raramente vejo amigos. Não participo de um culto pessoalmente há quase seis meses. Embora eu tente me conectar com outros, encontros virtuais e mensagens de mídia social parecem atrofiados. Está faltando alguma coisa. Apesar do esforço, sinto-me desconectado.

Neste momento em que estou quase completamente isolado — significa algo que Jesus era totalmente humano e compartilhou minhas experiências. Jesus estava comigo. Jesus está comigo.

A view of John Wesley's prayer room called the "Power House of Methodism" is located in his Georgian London home. Photo by Kathleen Barry, United Methodist Communications. 

John Wesley tinha um quarto em casa para orações e estudo bíblico. Foto de Kathleen Barry, United Metodista Communications.

O vislumbre da humanidade de Jesus me lembra que eu não ando sozinho pelas minhas circunstâncias únicas. Estou cansado desta temporada de quebrantamento - assim como Jesus devia estar cansado do quebrantamento que encontrou. Anseio por ver mais parentesco humano — lemos várias histórias de Jesus ansiando por isso também. Às vezes quero ficar sozinho, às vezes não. Às vezes fico frustrado, outras vezes fico alegre. Temos histórias de Jesus experimentando tudo isso.

Trazendo nossa experiência para o texto

Mesmo tendo lido essas histórias de Jesus algumas vezes antes, há significado em revisá-las. Elas nos lembram da existência de Jesus — sua existência humana, de carne e osso.

E neste  tempo, essas histórias têm um novo significado.

Como Metodistas Unidos, somos encorajados a ler a Bíblia regularmente. João Wesley escreveu uma simples advertência: "Quer você goste ou não, leia e ore diariamente" (João Wesley para John Premboth em 17 de agosto de 1760).

Continuamos voltando a essas histórias porque elas falam conosco de novo no meio de nossas circunstâncias de vida. Trazemos novos entendimentos para as histórias — e, por sua vez, eles nos proporcionam um novo entendimento.

Dicas ao ler

John Wesley fornece algumas recomendações para a leitura através das escrituras — e elas poderiam fornecer mais frescor à prática de ler escrituras. Parafraseando suas recomendações fora de seu prefácio para o Antigo Testamento:

  1. Reserve tempo regular e deliberado para ler. Wesley recomendou a leitura de manhã e à noite.
  2. Mantenha o tamanho de suas leituras gerenciáveis. Se você tiver tempo, leia tanto do Velho quanto do Novo Testamento — mas não se propus a ler tanto que pareça assustador.
  3. Leia com um olho para a vontade de Deus. Quando você discernir o que Deus está comunicando através do texto, aja sobre ele.
  4. Pergunte como este texto se conecta com grandes temas teológicos como Pecado Original, Justificação pela Fé, Novo Nascimento, Santidade Interior e Santidade Externa. Como o texto nos move de um lugar de quebrantamento para um estado de perfeição cristã?
  5. Ore antes de ler, enquanto lê, e depois de ler.
  6. Faça pausas para refletir sobre o que acabou de ler. Que esta seja uma prática meditativa que se refresca para uma ação imediata.

Com essas novas lentes — tanto das práticas recomendadas por Wesley quanto de nossas situações atuais, estamos obrigados a encontrar novos significados nas palavras vivas. Mais importante, estamos obrigados a sentir um senso de conexão: tanto com Deus quanto com nossa humanidade comum.

*Ryan Dunn é o Ministro do Engajamento Online para a equipe da Rethink Church na United Methodist Communications. Entre em contato com ele no rdunn(at)umcom.org.

Esta história foi publicada em 26 de agosto de 2020.