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A Questão Metodista: Como entendemos o sofrimento vindo do desastre?

Um balanço de pneu balança ao vento do furacão Rita sobre os restos de uma casa à beira-mar destruída pelo furacão Katrina em Ocean Springs, Mississipi. O Rita chegou ao leste do Texas em 24 de setembro de 2005, quase quatro semanas após o Katrina atingir Louisiana e Mississippi. Foto de Mike DuBose, Serviço Metodista Unido de Notícias.
Um balanço de pneu balança ao vento do furacão Rita sobre os restos de uma casa à beira-mar destruída pelo furacão Katrina em Ocean Springs, Mississipi. O Rita chegou ao leste do Texas em 24 de setembro de 2005, quase quatro semanas após o Katrina atingir Louisiana e Mississippi. Foto de Mike DuBose, Serviço Metodista Unido de Notícias.

Às vezes a devastação é esmagadora. As águas sobem e a chuva não para. O chão treme sob nossos pés ou o vento sopra os telhados das casas. A doença se espalha, aparentemente imparável, causando medo e ansiedade, dor e perda. Os problemas parecem intransponíveis, a destruição além da nossa compreensão.

Quando ocorre uma tragédia, é comum perguntarmos por quê. Voltamos à nossa fé em busca de respostas, mas as respostas não são fáceis. Lutamos para entender o sofrimento que testemunhamos, à luz de nossa fé cristã. As perguntas são deixadas sem resposta. A tragédia não é explicada.

Em um sermão intitulado "The Promise of Understanding" (A Promessa de Entendimento), John Wesley, fundador do movimento metodista, diz que talvez nunca saibamos. Ele escreve:

“Não podemos dizer por que Deus suportou que o mal tivesse um lugar em sua criação; por que ele, que é tão infinitamente bom, que fez todas as coisas "muito boas" e que se alegra com o bem de todas as suas criaturas, permitiu o que é tão inteiramente contrário à sua própria natureza e tão destrutivo de suas obras mais nobres. 'Por que o pecado e sua dor acompanhante no mundo?' tem sido uma pergunta desde que o mundo começou; e o mundo provavelmente terminará antes que os entendimentos humanos tenham respondido com certeza” (seção 2.1).

A resposta curta é: não sabemos por que as doenças, pandemias, desastres naturais e outros sofrimentos fazem parte do nosso mundo.

Deus fez isso?

Embora Wesley admita que não podemos saber a resposta completa, ele afirma claramente que o sofrimento não vem de Deus. Deus é "infinitamente bom", escreve Wesley, "tornou todas as coisas boas" e "se alegra com o bem de todas as suas criaturas".

Nosso bom Deus não envia sofrimento. De acordo com Wesley, é "totalmente contrário à natureza de [Deus] e tão destrutivo de suas obras mais nobres". Sofrer não é castigo pelo pecado ou julgamento de Deus. Sofremos e o mundo sofre, porque somos humanos e fazemos parte de um sistema de processos e de um ambiente físico onde as coisas dão errado.

Deus conosco

Em outro sermão intitulado “On Divine Providence” (Sobre a divina providencia), Wesley novamente escreve sobre o amor de Deus pela humanidade e que Deus deseja o bem para nós. Ele então acrescenta como Deus está sempre conosco, mesmo no meio da tragédia. Wesley compartilha: 

“[Deus] declarou expressamente que, como seus 'olhos estão sobre toda a terra' [ver Salmo 34:15; 83:18], então ele 'ama a todo homem, e sua misericórdia está sobre todas as suas obras' [Salmo 145: 9]. Consequentemente, ele se preocupa a cada momento com o que acontece com toda criatura na terra; e mais especialmente para tudo o que acontece com qualquer um dos filhos dos homens. É difícil, de fato, compreender isso; antes, é difícil acreditar nisso, considerando a maldade complicada e a miséria complicada que vemos de todos os lados. Mas acredite que devemos” (parágrafo 13). 

Esta é uma boa notícia. Embora não possamos compreender completamente o porquê do sofrimento, sabemos que Deus está com aqueles que sofrem. Observe que Wesley diz que Deus se importa com "toda criatura". Nunca estamos sozinhos em nosso sofrimento.

Em nossa experiência, sabemos que tragédias acontecem tanto para cristãos quanto para não-cristãos. Como Jesus disse: “[Deus] faz nascer o sol tanto para o mau quanto para o bom, e envia chuva tanto para os justos quanto para os injustos” (Mateus 5:45). A boa notícia que proclamamos é que Deus está conosco durante tudo isso.

Uma pergunta diferente

Quando Jesus e seus discípulos encontram um homem nascido cego, os discípulos fazem a Jesus a pergunta que estamos fazendo. "Rabino, quem pecou para que ele nascesse cego, este homem ou seus pais?" (João 9:2). Jesus, por que ocorre um sofrimento aparentemente arbitrário?

A resposta de Jesus, “nem ele nem seus pais”, nos diz que os discípulos estão fazendo a pergunta errada. “Isso aconteceu”, continua Jesus, “para que nele se mostrassem as poderosas obras de Deus” (João 9:3). Jesus afirma que é em nossa resposta ao sofrimento que Deus é encontrado, em momentos de graça cotidiana e em gestos grandiosos e amplos de cuidado e solidariedade com o sofrimento. As obras poderosas de Deus são encontradas em hospitais, asilos e abrigos.

Jesus está chamando seus discípulos e nós para um ministério. Devemos nos juntar a Jesus na exibição das poderosas obras de Deus. Somos uma extensão da presença de Deus no meio da tragédia, ao nos aproximarmos daqueles que sofrem de maneiras que não compreendemos. Devemos ser agentes de cura, trabalhando para restaurar a ordem de Deus na vida e na comunidade das pessoas. Devemos ser representantes do dia da ressurreição por vir, enquanto procuramos reconstruir e renovar.

Em nossas congregações Metodistas Unidas, nos unimos a esses ministérios. 

Nós montamos kits de limpeza  e trabalhamos ao lado daqueles que tiram a lama das enchentes nos andares de suas casas. Nós reconstruímos casas. Estamos na brecha ao lado do sofrimento. Apoiamos nossos bancos de alimentos locais, cuidamos dos carros uns dos outros, visitamos aqueles que estão presos e muito mais. Também somos ativos em nossas comunidades, trabalhando para mudar sistemas que causam sofrimento às pessoas em nossas comunidades.

Após a tragédia, testemunhamos o amor de Deus. Em nosso derramamento de apoio, proclamamos o valor de toda vida humana. Quando enviamos suprimentos através do Comitê Metodista Unido de Socorro, testemunhamos a provisão de Deus. Quando profissionais médicos atam feridas, Jesus é mostrado como curador. Quando os lares são reconstruídos, proclamamos a ressurreição. Ao lamentarmos com os que estão de luto, compartilhamos o amor de Deus.

Podemos não saber por que as coisas acontecem, mas abraçamos os ministérios de cura, renovação e reconciliação aos quais Jesus nos chama e, ao fazer isso, as poderosas obras de Deus são reveladas.
Tem perguntas? Pergunte à UMC ou converse com um pastor  perto de você. E confira outras perguntas e respostas recentes.

 

* Este conteúdo foi produzido por Pergunte à UMC, um ministério da Comunicações Metodista Unida.

** Sara de Paula é tradutora independente. Para contatá-la, escreva para [email protected]